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Mentes Perigosas: Como usam manipulação para controlar sua opinião? A técnica que usam para destruir, enganar e engajar aliados.

Imagine estar em um grupo e perceber, aos poucos, que uma pessoa com carisma e influência transforma a percepção de todos ao seu redor contra um membro inocente que ousou discordar de algo que esta pessoa influente disse. Pequenos atos, deste desafeto, são interpretados de forma exagerada, distorcida, e associadas a comportamentos falsos até que o alvo, antes parte do grupo, seja isolado e perseguido.


Partindo de uma análise Cognitivo Comportamental, esse comportamento padrão que vou chamar aqui de "técnica", eu batizei de Manipulação de Crenças por Hipérbole, é uma arma perigosa utilizada por indivíduos com traços de psicopatia, narcisismo maligno e histrionismo em sua forma mais perversa.


Assim como a Rainha de Copas no clássico Alice no País das Maravilhas, essas mentes manipuladoras criam seus próprios "tribunais", "julgamentos" e "'execuções", mobilizam os outros para fazerem seu trabalho sujo, sem questionar. Em mais de 10 anos de pratica clinica, estudei casos forense e pude notar alguns padrões de comportamento nas praticas manipulativas usadas por algumas mentes perigosas para difamar seus alvos.


O Que é a Manipulação de Crenças por Hipérbole?



Manipulação: Rainha de copas manipulando suas marionetes.


A hipérbole é uma figura de linguagem muito utilizada na língua portuguesa para expressar exagero intencional com o objetivo de enfatizar uma ideia ou sentimento. Ela consiste em ampliar a realidade de forma exagerada, indo além do que é literalmente possível ou verdadeiro. Por exemplo, ao dizer “Estou morrendo de fome”, a pessoa não está realmente à beira da morte, mas sim expressando que está com muita fome. A hipérbole é frequentemente usada em literatura, poesia e no cotidiano para criar impacto, humor ou dramatização.


A Manipulação de Crenças por Hipérbole é uma forma de campanha de difamação que  ocorre quando alguém transforma eventos comuns, banais, ou até inexistentes em uma narrativa inflada e falsa de forma maliciosa. A intenção é clara: manchar a reputação de um "desafeto" ou sujeito que pode desmascarar sua imagem de boa moça ou bom moço, enquanto a pessoa manipuladora se posiciona como vítima injustiçada. O truque é associar um ato real (mas irrelevante) a uma série de acusações inventadas, criando uma estória tão emocionalmente carregada que o grupo ao redor aceita sem questionar.


Assim, quem lidera essa manipulação usa suas habilidades sociais para recrutar os chamados “macacos voadores” — pessoas que, deliberadamente ou não, perpetuam a narrativa manipulada não questionam e passam a diante a difamação. Muitas vezes, outro grupo desses "aliados" incluem homens carentes e pessoas emocionalmente dependentes descritos aqui como valetes de copas, agem como salvadores em busca de validação e aceitação, eles confiam cegamente na "líder" manipuladora e contribuem para a perseguição ao alvo esperando recebem de volta afeto, reconhecimento ou alguma migalha qualquer.


A Tática da Hipérbole


O método de difamação segue uma estrutura perigosamente eficaz:


  1. Desqualificação do alvo: Pequenos comportamentos do "desafeto" são reinterpretados de forma negativa. Algo trivial, como uma discordância educada, pode ser rotulado como "agressividade".


  2. Criação de falsas conexões: A manipuladora liga atos banais a comportamentos inexistentes. Por exemplo, uma pessoa que esqueceu de cumprimentar alguém em um evento qualquer pode ser acusada de ser "arrogante" ou "ameaçadora" num momento oportuno. Uma pessoa que toma sorvete interagindo num grupo onde um dos membros é intolerante a lactose, pode ser acusado de insensível e preconceituoso.


  3. Narrativa emocionalmente carregada: A pessoa manipuladora dramatiza os eventos, se posicionando como vítima injustiçada ou defensora voraz da justiça. Frases como “Eu nunca pensei que "fulana" pudesse me tratar assim”, “Ele/ela é tóxico”, "Você não sabe o que ele/ela fez outro dia?" "ele/é tão ingrato, depois de tudo que fiz por ele/ela" ou "Ele sempre causa problemas" são comuns para iniciar a narrativa e influenciar a percepção que os outros tem sobre a vítima. O truque de pessoas inteligentes para identificar se esse tipo de narrativa é falsa consiste em perguntar detalhes, será fácil ver a manipuladora se incomodar, se enrolar, gaguejar ou contar detalhes da história que desmonta a narrativa de difamação.


  4. Mobilização do grupo: Com a narrativa criada, os "macacos voadores" se tornam os executores. Eles confrontam, espalham rumores e isolam o alvo, muitas vezes sem questionar a veracidade das acusações. Ao confrontar a pessoa manipuladora de frente, muitas vezes ela recorre ao valete de copas que surge em um cavalo branco para defende-la.


A Perigosa Dinâmica do Grupo


Assim como na corte da Rainha de Copas, o grupo é manipulado a acreditar na narrativa inflada e agir de acordo. Essa dinâmica explora as fragilidades emocionais dos seguidores, especialmente daqueles com a “síndrome do salvador”. Esses aliados, cegamente leais, servem como ferramentas de uma justiça deturpada que condena inocentes sem provas.


Por Que Compreender Esse Conceito é Essencial?


A habilidade de reconhecer a Padões de Manipulação não apenas protege indivíduos de se tornarem vítimas, mas também impede que inocentes sejam condenados injustamente. Pessoas com traços de psicopatia, narcisismo maligno e histriônicas frequentemente veem qualquer resistência como ameaça. Quem não concorda ou não cede às suas vontades se torna automaticamente um alvo.


O mundo real vai além das narrativas, entender as táticas usadas por essas mentes perigosas é o primeiro passo para desarmá-las. Questione as narrativas, analise os fatos, e observe as intenções por trás de cada discurso inflamado. Lembre-se: em um ambiente de manipulação, qualquer um pode se tornar o próximo alvo, inclusive você.


Conclusão


A Manipulação de Crenças por Hipérbole é uma técnica perversa que se apoia no exagero, na vitimização e na mobilização de pessoas para destruir a imagem de um alvo inocente. Reconhecer esse padrão de comportamento é vital para se proteger, proteger os outros e evitar que uma falsa narrativa cause danos irreparáveis a vida de alguem. No fim, cabe a cada um de nós o compromisso de não se deixar manipular e, acima de tudo, não se transformar em um instrumento nas mãos de mentes mal-intencionadas.


Referências Bibliográficas


BECK, Judith Shapiro et al. Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. 2.ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2013. xiv, 413p. ISBN: 9788582710081.

 

Pichon-Rivière, E. O Processo Grupal. Livraria Martins Fontes, 6ª Edição, São

Paulo, 1998a. ISBN 85-336-0838-1.

 

Pichon-Rivière, E. Teoria do Vínculo. Livraria Martins Fontes, 6ª Edição, São

Paulo, 1998b. ISBN 85-336-0839-X.

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Jackson Ferreira

Psicologia e desenvolvimento pessoal
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